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Após quase 45 anos, Terreira da Tribo vai ter um lugar para chamar de seu

Nesta terça-feira (6), a Prefeitura de Porto Alegre assinou termo de permissão de uso de imóvel municipal

"Aqui vai se poder de tudo, aqui vai se poder sonhar, aqui os corpos vão dançar”, destaca Tânia Farias

Foto: Alex Rocha/PMPA


“É fundamental que espaços como a Terreira estejam abertos. É um compromisso da cidade, porque a cidade são as pessoas, então é um compromisso nosso como cidadãs e cidadãos da cidade, de manter um espaço como esse aberto, um espaço de arte, de descolonização corporal e mental, um espaço que nos convida a construção de um outro pensamento, fora desse pensamento hegemônico e único, que é um pensamento livre e libertário.”

A afirmação foi feita pela atriz Tânia Farias, em entrevista ao Brasil de Fato RS no ano de 2020. Na ocasião além de falar da sua trajetória, ela destacou a luta da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz para ter seu espaço. Que agora, após mais de quatro décadas de espera, foi conquistado.

Nesta terça-feira (6), foi assinado o termo de permissão de uso de um imóvel municipal para sediar a Terreira da Tribo. O espaço fica na Travessa Carmen, 95, no bairro Floresta.

O local é uma casa com um galpão nos fundos, que encontra-se atualmente em ruínas e que no futuro servirá ao grupo para a realização dos ensaios e o desenvolvimento da escola. Durante 15 anos a Terreira da Tribo esteve sediada na rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa.

“Sobre a assinatura de TPU da Travessa Carmen, uma ruína onde havemos de erguer um templo de arte, cultura e aprendizagem... Este marco, quando a Terreira estiver de pé e funcionando todos os coletivos longevos desta cidade poderão dizer eu preciso de um espaço público para desenvolver meu projeto de arte pública. O que nós queremos aqui é abrir esse precedente. Então que se abra esse precedente, pois para nós é muito importante que outros coletivos tenham esses espaços porque a cidade é mais viva, melhor, quando existe espaços como a Terreira”, afirmou Tânia Farias.

Em sua fala, o prefeito Sebastião Melo disse que a arte é a alma da cidade, é a miniatura da vida. “Quando ela chega no espaço público tem que ser aplaudida. E o espaço que não é usado pelos ocupados acaba sendo pelos desocupados."

Por sua vez o secretário de Cultura e Economia Criativa, Gunter Axt, destacou que a Terreira é um dos grupos mais tradicionais do Brasil. “Estamos entregando um centro cultural para o bairro. Devemos considerar o grupo como um patrimônio da cidade pela importância que tem no cenário artístico nacional”, frisou.

Presente no ato, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL) ressaltou ser um dia histórico para a arte popular de Porto Alegre. “Depois de décadas de luta, a Terreira da Tribo @oinoisaquitraveiz finalmente conquistou sua casa. Foi assinado hoje o termo de cedência de um imóvel público entre o coletivo e a Prefeitura, onde a Terreira vai poder continuar existindo e cumprindo sua vocação que é oferecer, formar e transformar por meio da arte e cultura popular. Fico feliz de ter feito parte desta luta e contem com o nosso mandato para viabilizar o espaço e transformar estas ruínas da Travessa Carmem, 95, em um lugar acolhedor para toda a cidade."

Conforme destacou Tânia, o grupo quer fazer do local um espaço para toda a cidade. "Finalmente, depois de 45 anos, teremos um espaço público sem pagar aluguel para realizar um trabalho que é social.”

Para fazer as reformas estruturais na edificação a atuadora pontuou que se pretende buscar recursos por meio de emendas parlamentares, financiamentos coletivos e doações.

“Queremos fazer essa construção aqui em regime de mutirão. Vamos construir com nossas mãos, vamos vir aqui e botar a mão, botar tijolo, virar a massa porque daí todos vocês vão ter construído objetivamente esse lugar e é isso que a gente quer, que a sociedade esteja aqui com a gente, construindo. Aqui vai se poder de tudo, aqui vai se poder sonhar, aqui os corpos vão dançar”, celebrou.

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