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O NATAL E AS ESCOLHAS DE CONSUMO

Na antiguidade romana, com o advento do solstício de inverno, nas festas pagãs, teve origem o Natal. Este foi sendo incorporado pela cristandade e assumido pelo capitalismo como grande momento de consumo. Mas isso é suficiente para que se sustente uma “natalfobia” (neologismo significante destacado pelos Psicanalistas Mario e Diana Corso no artigo “Melancolia natalina”)?

Criar demanda de consumo é próprio do capitalismo em todos os eventos, com seus apelos midiáticos. Para Lacan, o discurso capitalista vem como uma resposta que tampona a falta, a castração (colocando-se no lugar do “Objeto a” perdido).

Quando vivemos um Brasil que foi dizimado pela era das trevas bolsonariana, com mais de 30 milhões de brasileiros passando fome, evidente que não podemos esquecer de que o presente maior é dignidade e alimento, advindo não de assistencialismo, mas de suporte provisório, como Bolsa Família, e fomento de emprego e aumento do salário mínimo, há quatro anos sem acontecer.

Ainda assim, diante dessa dura realidade, não podemos restringir o sentido do Natal apenas ao olhar para o consumo. Sendo que esse não é o vilão em si, diante do fato de que a maioria não consome o mínimo para ter vida com qualidade.

Neste período festivo, o espírito cristão do homenageado não se pode esquecer, pela via da solidariedade. Como dizia Foucault, fazer o bem ao outro é um bem que fazemos a nós mesmos, pois nos sentimos melhor.

O inconsciente é o infantil, na perspectiva Freudiana. E no Natal, a criança interior de todos nós demanda presentes e presenças. E as perdas requerem resignação com o abraço, com a simbolização destas com a palavra que circula coletivamente entre os afetos, dando suporte ao enfrentamento melancólico dos lutos.

A árvore natalina, como significante, também, metonimicamente, tem a ver com a genealogia que é estruturante dos sujeitos, pelas identificações com nossos antepassados, amados e conjuntamente presentificados pelas lembranças.

O Papai Noel é o bom velhinho, imaginariamente uma presença que dá presentes, reparando as perdas como “metáfora paterna” que acalenta a todos, de modo lúdico e afetivo.

O presépio simboliza vida, harmonia com os animais, com as estrelas e hoje com uma família diversa.

Podemos ressignificar o Natal da apropriação consumista capitalista esbanjando e consumindo: muitos abraços, escuta, carinho e solidariedade.

A nação brasileira, em maioria, já está bem presenteada. O Papai Noel é vermelho e a esperança também!

E quem puder se dar ou receber um investimento em análise pessoal vai ter um patrimônio subjetivo, para lidar melhor com perdas, sem deixar o desejo se extraviar.

FELIZ NATAL!

Gaio Fontella (Psicólogo, psicanalista, graduado e pós-graduado pela UFRGS, poeta, escritor e comentarista do “Café com análise” no Youtube)

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