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Onde está a paz?



Em um mundo com tantas situações difíceis: desastres, guerras e sofrimentos, como encontrar a Paz?

Será que encontramos espaço para o silêncio? Alguma vez já nos questionamos sobre isto? O que nos provoca Paz?

O que, hoje, compartilho com vocês começa a ser escrito no Templo Budista Chagdud Gompa Kadro Ling, em Três Coroas. Sentada no banco em frente a um recanto com múltiplas árvores, grama verdejante e enxergando o Templo da Terra Pura de Guru Rinpoche, fecho os olhos. Escuto os passos e as vozes das pessoas que transitam por esse lugar tão especial. Uma pergunta emerge à minha mente. Quantas destas pessoas, verdadeiramente, sintonizam com a bênção de estar aqui?

Respiro novamente, permitindo que a pergunta se vá. Ouço os pássaros e o som da água que corre no lagueto das carpas. Sinto a brisa, o vento que balança as folhas, que toca suavemente o meu corpo e percebo a luminosidade do sol.

Há alguns anos, quando finalizei a escrita do livro Tocando o Coração Enxergando a Alma, sentada nos degraus do Templo, tinha o mesmo desejo de hoje – tocar as Almas. Provocar as pessoas para vivenciar a oportunidade da Existência, permitindo a consciência dos passos e encontrando sentido na caminhada.

Após alguns anos difíceis e ainda vivendo um período planetário complexo, sinto que muitos de nós não aprendeu com a sindemia. Permanecem acelerados, permeado pelo consumismo, pela cultura da imagem, pela disseminação da raiva, do egoísmo e sofrimento. Mas percebo, também, que muitas aprenderam. É comum encontrar pessoas que estão procurando ter maior qualidade de vida. Algumas delas mudaram, radicalmente, o seu rumo. Desaceleraram e estão desenvolvendo a empatia, a solidariedade e a coletividade.

As consequências da sindemia, das guerras produzidas pela ganância e sede de poder e os desastres (que não são naturais, mas consequência das nossas ações), os quais nos mostram que somos falíveis, geram a necessidade de mudança. Mas, claro, algumas pessoas, como não estão atentas ao processo, permanecem com vendas nos olhos. Para além de uma escolha, ainda não foram “tocadas”.

O despertar para uma realidade melhor, mais equânime, solidária, humana é primordial para que possamos avançar na caminhada. Mas cada pessoa tem o seu tempo. O problema é... será que ainda temos tempo? Eis a questão e deixo para que cada leitora e leitor possa responder.

Mas onde está a Paz? O que é a Paz?

Volto às questões norteadoras da crônica.

Muitas vezes, a Paz, o momento de completude, é provocado por algo externo: uma música, imagem, lugar.... despertando um ritmo de respiração calma e profunda que tem o poder de nos deslocar para um outro tempo e espaço. Tudo é válido quando desejamos a Paz.

Vivemos em uma sociedade onde a imagem (e não a verdade) continua sendo o “norte”, onde a competitividade perversa dá a sensação de prazer (ou desprazer) imediato e a paz se torna um espaço confuso. Sociedade "líquida", onde as relações estão frágeis e instantâneas.

É verdade, como citei anteriormente, que estamos encontrando, cada vez mais, pessoas desejosas de um mundo melhor. Um alívio e esperança no ar....

Assim, o externo pode ser um facilitador ou dificultador para encontramos a Paz.

Lembro que no livro “Tocando o Coração Enxergando a Alma” busquei provocar o silêncio através do mantra “Então, Pare, Respire Sinta”, numa busca de facilitar o processo de (Re) Encontro consigo próprio. Meses depois, a sindemia nos empurrou para o contato mais íntimo conosco. Impossibilitou encontros, mudou a forma de comunicação e nos trouxe a possibilidade de darmos “de cara” com o que é, verdadeiramente, importante na Existência. Oportunidade de nos escutarmos mais....

Naquele período, um turbilhão de sentimentos permeou a nossa caminhada. Foi a partir daquele momento que muitas pessoas puderam (re)encontrar a Paz.

Nem sempre a Paz acontece a partir de momentos bons e felizes. Às vezes, é consequência do sofrimento. Quando conseguimos transcender e encontrarmos a nossa essência.

A Paz é Luz! Luz que permeia o nosso corpo, mobilizando sentimentos e qualificando os nossos pensamentos. A Paz é um espaço da nossa singularidade onde cabe a coletividade.....

A Paz pode ser encontrada através de símbolos externos, facilitada por práticas que ampliam a nossa consciência. Mas, acima de tudo, a Paz está dentro de cada um de nós. Quando encontramos a Paz, desejamos que tudo a nossa volta esteja em Paz. É o momento em que podemos estar serenos, mesmo atravessando o mar revolto.

É o encontro com o Sagrado que habita em nós e está presente em tudo e em todos. É o contato com a Alma. Mas só encontramos a Paz a partir do silêncio. Do silêncio que permite nos enxergarmos.

Que possamos (Re) Encontrar a Paz que existe em nós!

Sejamos Luz!!!


Patricia Ziani Benites

Psicóloga e Escritora Canal no YouTube: Tocando o Coração Enxergando a Alma





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