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Pelas Ruas da Zona Norte - Aviação


A começar pelo nome do bairro mais populoso da cidade, Ruben Berta foi uma das mais importantes pessoas da aviação gaúcha, em especial na sua relação com a Varig e seu desenvolvimento para um império da aviação gaúcha.


RUBEN BERTA – O BAIRRO

Neto de húngaros e alemães, Ruben era filho de Martin Félix – nome de uma Rua do Bairro.

Estudante de medicina, foi contratado por Otto Ernst Meyer e, aos 19 anos, tornou-se o primeiro funcionário da Varig, como auxiliar de escritório e secretário de seus diretores fundadores.

Em 1942, assumiu o cargo de presidente, com a renúncia de Otto, devido às perseguições aos alemães aqui na II Guerra.

VILA VARIG – LOTEAMENTO ÍCARO

Em meados de 1950, Ruben Berta, já então presidente da Viação Aérea Rio-grandense – VARIG -, mandou um senhor para organizar um loteamento no Extremo Norte da capital.

Era um descampado, solo úmido, sem infraestrutura, próximo da Avenida Baltazar de Oliveira Garcia.

Berta dizia: “Todo funcionário da Varig tem que ter sua casa própria”.

Surgiu assim a “Vila Varig” – Loteamento Ícaro*, com 84 casas.

(*Ícaro, filho de Dédalos, conseguiu fugir de um labirinto fazendo asas para ele e seu pais, com cera de abelhas, mas não atentou para o que o pai alertara; não ficar perto do sol, pois as asas derreteriam, e foi o que aconteceu.)


NA VILA VARIG, HOMENAGEM AO AVIADOR ESTONIANO HARALD STUNDE


AVENIDA COMANDANTE HARALD STUNDE

CEP 91250-450

Bairro Rubem Berta

Criada pela Lei nº 1983, de 1º de setembro de 1959, assinada pelo presidente da CMPA Ephraim Pinheiro Cabral.

Dizia que era uma via pública da “Vila Varig”, no Passo do Feijó, perpendicular ao “Beco do Rincão”.

Via com pedras irregulares, mal conservada, sem saída.

Como relata a advogada Luísa Stern:

“Cresci naquela região e muitas ruas e avenidas têm nomes dos antigos proprietários das terras, como a Baltazar de Oliveira Garcia e a Antônio Severino Neto, que ainda tem descendentes por lá. O bairro Rubem Berta leva o nome de um antigo presidente da VARIG, que tinha uma granja onde foi construída a COHAB e fez uma vila para funcionários, onde meu pai comprou a casa em meados dos anos 70 na pequena Rua Comandante Harald Stunde, cujo nome quase ninguém sabe escrever corretamente e era um piloto estoniano que trabalhou na Varig e faleceu num acidente aéreo logo depois de decolar do antigo aeroporto São João, quando o avião que pilotava caiu no Guaíba.”


OUTROS AVIADORES DÃO NOME A LOGRADOUROS DA ZONA NORTE.

No Bairro São João, por onde começou de fato a expansão da capital rumo à Zona Norte*, na região que se conhecia por “Várzea do Gravataí”, havia o primeiro aeródromo da cidade - temos a homenagem a Augusto Severo, Edu Chaves e Alfredo Corrêa Daudt.

(*Leiam aqui no ZONA NORTE JORNAL – www.zonanortejornal.com.br - as matérias do Professor e escritor Cristiano Fretta – História da Zona Norte!)


RUA AUGUSTO SEVERO

Rua Augusto Severo, que já foi dos Cachorros e também Rio Gravataí, situa-se no Bairro São João.

Vai da Benjamin Constant, cruza a Sertório até a 18 de novembro. Fica na região do Aeroporto.

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão foi o oitavo de quatorze filhos. Foi político, jornalista, inventor e aeronauta.

Nasceu no Rio Grande do Norte e morreu em Paris.

Jovem, passou a se interessar pelo voo, realizando observação de aves planadoras e construindo pequenos modelos de pipas, uma das quais denominou Albatroz.

Em 1892, ouvida a opinião favorável de abalizados professores da Escola Politécnica, concedeu o Governo um auxílio pecuniário para que Augusto Severo pudesse mandar fazer na Europa um aeróstato dirigível de sua invenção que incorporava as ideias que havia desenvolvido anteriormente.

Depois de estudos e peripécias, construiu um balão, de cerca de 2.000 m3, medindo 60 m de comprimento, chegando ao Brasil em março de 1893. A estrutura em treliça, inicialmente projetada para ser executada em alumínio, foi construída no campo de tiro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, assim como a montagem de uma usina para a produção de hidrogênio.

Em 1896, no Rio de Janeiro, Augusto Severo pediu patente para um “turbo-motor com expansões múltiplas e continuadas”.

Em fins de 1901, Severo licenciou-se da Câmara dos Deputados para viajar para a França e aí se dedicar à construção de um novo semirrígido, o Pax, inflado a hidrogênio.

Há relatos de que foram amigos e parentes que o bancaram nesta aventura inventiva.

O novo aparelho não tinha leme de direção e usava ao todo sete hélices: uma na popa, outra na proa, outra na barquinha e quatro laterais. Severo pretendia usar motores elétricos, mas a falta de recursos e de tempo fez com que ele optasse por dois motores a petróleo tipo Buchet, um com 24 cv e o outro com 16 cv. O invólucro tinha a capacidade de 2.500m3, com 30 m de comprimento e 12 no maior diâmetro. Os ensaios foram realizados nos dias 4 e 7 de maio de 1902, com sucesso.

No dia 12 de maio de 1902, tendo como mecânico de bordo o francês Georges Sachet, o Pax decolou às 5h30min, saindo da estação de Vaugirard, Paris. Elevou-se rapidamente, atingindo cerca de 400m. Cerca de dez minutos após o início do voo, o Pax explodiu violentamente, projetando os dois tripulantes para o solo. Severo e Sachet morreram na queda, ficando totalmente carbonizados.

O mecânico havia insistido várias vezes com Severo que era inadequada a colocação dos motores, sendo perigoso. Tinha razão, mas o infortúnio não só levou a vida de Severo como a dele também.

Augusto Severo, em seguida, teve Rua em Paris com seu nome e aqui, como se vê, foi homenageado com nome de rua próximo ao velho aeroporto e não muito longe do mais novo.


RUA EDU CHAVES

Eduardo Pacheco Chaves – paulista - foi um aviador brasileiro, pioneiro nas ligações aéreas entre São Paulo e Santos; São Paulo e Rio de Janeiro, e também entre o Rio e Buenos Aires.

Conheceu Santos Dumont na Inglaterra, iniciando sua paixão pela aviação. E nesta rua, com seu nome, temos mais de uma dezena de lojas de venda ou locação de carros.

Na França, foi o primeiro aviador a realizar voos noturnos. Foi o primeiro piloto brasileiro a voar nos céus do Brasil no dia 8 de março de 1912, na cidade de Santos. Neste período, teve a oportunidade de voar em companhia do aviador francês Roland Garros na breve estadia deste no Brasil.

Criou a primeira escola de aviação do país em Guapira, São Paulo, onde empregou aviões trazidos da Europa.

Fez o primeiro voo entre São Paulo e Rio de Janeiro sem escalas.

Esta rua fica próximo ao nosso Aeroporto, no Bairro São João, adjacente a ele, onde originalmente havia o Aeródromo São João.


AVENIDA ENG. ALFREDO CORRÊA DAUDT

CEP 90480120

Bairro Bom Vista

Criada pela Lei nº 3.412, de 12 de julho de 1970. Liga a Avenida Plínio Brasil Milano e a Avenida Anita Garibaldi. Passa ao largo da Praça Professor Leonardo Macedônia. É uma via asfaltada e bem arborizada.

Placa: Pioneiro da aviação no Rio Grande do Sul.

O cronista Nilo Ruschel, em A Rua da Praia, conta que Pepe Daudt (seu apelido) convidou dois ases franceses - Saint-Exupéry e Mermoz - para encantaram-se em uma churrascada, bem à gaúcha, na chácara de dona Lina Daudt, na Pedra Redonda.

Lembrando que Saint Exupéry, além de aviador, que conheceu Porto Alegre, é autor do clássico O Pequeno Príncipe.


MAIS DADOS E NOVAS HISTÓRIAS

E assim passo a passo, vamos aqui no Zona Norte Jornal resgatar nosso história real…

Esperamos que nossos leitores possam contribuir com dados novos e informações fidedignas.


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1 Comment


Uma aula de história, parabéns pela iniciativa !

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