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Pelas ruas da Zona Norte: os Koseritz

Hoje, vos apresento pai e filha: Carlos (Karl) von Koseritz e Carolina von Koseritz que nominam ruas desta grande região.

Ambos tem histórias de muitas lutas, bem difíceis, o pai por ter vindo da Alemanha, passar fome, fazer jornais, ternar-se um grande jornalista, muito perseguido ao final de sua vida. Ela por ter sempre trabalhado e ter sido infeliz num casamento e falecido muito jovem.

Eis os casos:

RUA CARLOS VON KOSERITZ


A Rua Carlos von Koseritz liga a Avenida Benjamin Constant até a Avenida Plínio Brasil Milano. Da Av. Benjamin Constant até a Rua Américo Vespúcio fica no Bairro São João, dali adentra o Bairro Higienópolis até chegar na Avenida Cristóvão Colombo, para finalmente terminar no Bairro Auxiliadora.

É uma via asfaltada, em bom estado, muito arborizada.

Jornalista reconhecido e político combativo.

Oriundo do antigo ducado de Anhalt (hoje no centro da Alemanha). Chegou a Rio Grande em 1851. Articulou vários jornais em alemão e português, participando de outros que não os seus. Foi deputado provincial (estadual) por três vezes.

Sua filha Carolina von Koseritz foi uma professora, jornalista, escritora e tradutora brasileira, dando nome a uma rua na Zona Norte.

Em 1890, os castilhistas fizeram dura perseguição e ameaças de prisão ao então influente jornalista, escritor e político. Defendia ideias evolucionistas. Foi levado à depressão e à morte súbita.

É assim que agem desde aqueles tempos, e o castilhismo ainda tem seguidores pelo Estado afora.

Tiago Weizenmann, em sua tese “Sou, como sabem...”: Karl von Koseritz e a imprensa em Porto Alegre no século XIX (1864-1890) descreve Koseritz como "um dos personagens mais importantes para a história da imprensa oitocentista do Rio Grande do Sul. Sua atuação, nesse contexto, revela a riqueza de um pensamento singular. Nesta tese, tem-se como propósito analisar e compreender as possibilidades criadas por Koseritz, a partir da atuação em diversos empreendimentos tipográficos de Porto Alegre, entre os anos de 1864 e 1890. O período entre sua chegada à Capital da província e sua morte configurou o momento de maior produção intelectual, enquanto jornais, álbuns ilustrados, folhas literário-científicas e almanaques constituíram os instrumentos fundamentais de divulgação das ideias de Koseritz."

José Fernando Carneiro e Renê Gertz escreveram também sobre ele.

Já Eloy Terra conta um pouco da sua vida difícil no início no Brasil, do desmaio por fome numa rua em Pelotas, o emprego de guarda-livros com um patrício. Com quatro anos aqui, dominava o português, virou editor de livros didáticos, um passo para o jornalismo. Fundou o Jornal de Pelotas.

Depois teve passagem por Rio Grande, com seu curso primário e secundário, com suas lides na imprensa. Sendo um homem de temperamento forte e claro, sem meias palavras.

Polêmico, mas sempre atento ao potencial de negócios entre Brasil e Alemanha, sendo organizador da Exposição Brasileiro-Alemã.

Repetindo, ele foi perseguido, caluniado, tripulado na mídia, colocada sua honra em dúvida, o que o amargurou. Perseguido, refugiou-se na casa de um amigo, em Pedras Brancas.

Depois da morte, a família passou dificuldades, pois não tinha fortunas acumuladas, mas tinha a honra de ter sido um grande homem, diferentemente de alguns castilhistas que o humilharam.

Curiosamente, esta rua é atravessada pela Rua Barão de Cotegipe, o grande escravagista, senador que votou contra a Lei Áurea, a quem Koseritz tanto combateu na época.


RUA CAROLINA VON KOSERITZ



Localizada no Loteamento Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Rubem Berta, a ilustrada professora e tradutora é mais um nome “estrangeiro” que “invadiu” o Rubem Berta.

Via de duas quadras, com pedras, com manchas asfálticas, em estado regular, ligando a Rua Antônio Francisco Lisboa e a Avenida João Ferreira Jardim.

Desde menina, começou a trabalhar com seu pai Carlos von Koseritz, jornalista e deputado, que também é nome de rua na capital.

Trabalhando desde os 12, aos 17 publicou seus primeiros contos.

Foi casada com Rodolfo Brasil que acabou se mostrando um medíocre poeta e falastrão, em contradição com o espírito altivo, ousado, diante do seu tempo de Carolina. Ela o deixou no Rio, voltando a Porto Alegre, para lecionar, traduzi e escrever. Mesmo oficialmente casada juntou-se a Mário Teixeira de Sá, jornalista português, seis anos mais jovem que ela.

Apesar do “escândalo” ela levou a relação para frente, tendo quatro filhos com ele. Mas certo dia ele sumiu daqui.

Ela, como sempre, tocou a vida e cuidou dos filhos. Mesmo muito doente.

Morreu de insuficiência renal aos 57 anos.

Foi tradutora, jornalista e escritora.

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