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Saúde mental e políticas públicas na visão psicanalítica

Quando, desonrosamente, Porto Alegre ganha o título de capital com maior aumento de depressão em maio de 2022, um crescimento de 17%, conforme pesquisa do Ministério da Saúde, denotamos a grande importância de políticas públicas necessárias a essa demanda.

Embora o projeto SUS, dentro de uma clínica ampliada, preveja o atendimento psicológico, temos falta de profissionais, inclusive não havendo a obrigatoriedade de psicólogos no PSF (Programa de Saúde da Família).

Contamos com um esforço no acolhimento psicológico, em Porto Alegre, em Cinco CAPS (Centro de Apoio Psicossocial). Dentre eles, temos os CAPS AD (unidade IAPI, Vila Nova, PLP, GCC e GHC), que trabalham sem agendamento recebendo usuários de álcool e outras drogas. E os encaminhamentos vindos das Unidades Básicas de Saúde têm três meses, em média, para o início de acolhidas, tempo enorme diante de urgências e riscos de suicídio.

Muitas universidades dão sua contribuição com atendimentos gratuitos, mas estes são limitados pelo espaço e contingente profissional.

Portanto, é mais que urgente, principalmente pelos conflitos e sofrimentos que ficaram represados, não atendidos por causa da pandemia, que a saúde mental seja priorizada.

Precisamos de concursos – e nomeações dos já realizados – com esse foco. E com mudanças dos critérios. Por exemplo, os Peritos Psicólogos do IGP (Instituto Geral de Perícias), a cada 12 nomeados e outra especialidade, um psicólogo é chamado.

Segundo a SSP/RS (Secretaria de Segurança Pública do RS), o feminicídio teve aumento de 42,9%. Esta é outra demanda grave que está relacionada com falta de saúde mental dos agressores e pela opressão que muitas agredidas suportam. E a Lei Maria da Penha garante às mulheres vítimas de violência o atendimento por psicólogos.

O desafio às políticas públicas de saúde mental é de equacionar acolhimento com o tratamento psicológico integral, no contexto interdisciplinar. Não estamos esquecendo da precariedade em relação às doenças físicas, mas buscando fugir da dicotomia cartesiana que separa corpo e mente. Inclusive pelo fato de que a dor física implica em sofrimento psíquico.

O apoio psicológico, psicoterápico traz espaço para a fala cidadã na busca de suas necessidades, facilita a adesão aos demais tratamentos e um lugar para o sujeito de desejo.

Como psicólogos e psicanalistas, sabemos o quanto isso é importante para a retomada do investimento em saúde mental, também na perspectiva da luta antimanicomial, tendo lugar de fala e escuta do sujeito Freudiano, o do Inconsciente, desejante, de melhor amar, trabalhar, com qualidade de vida.


Gaio Fontella é psicólogo, psicanalista, graduado e pós-graduado pela UFRGS, poeta, escritor e comentarista do Café com Análise no Youtube.

Fone: 51 984194143

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