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VALORES



A polissemia do significante valores provoca o que já é um vício meu com a linguística. Explico o porquê: quando o psicanalista Lacan postula que o “inconsciente está estruturado como uma linguagem”, impossível pela prática clínica não consideramos essa relevância.

Sim, quando pontuamos algo que demande significação, seja um substantivo, um verbo, um particípio, damos a oportunidade para ver que associações nosso analisando irá fazer, sempre ficando atendo à metonímia em direção ao desejo do sujeito.

Um artigo também diz muito: além de destacar mais a importância, por exemplo quando dizemos “Ela é a mulher”, a presidenta (afirmativo do lugar feminino que Dilma ocupou). Inclusive algo do regionalismo como na nova novela “Terra e paixão” é “O Soja”, para mato-grossenses.

Focando em valor: algo que é nuclear no marxismo para pensar trabalho e produção, passando pelo conceito de mais-valia no qual tem a genialidade de Marx em ver o quanto o trabalhador, alienado do processo de produção, é explorado, pois se fosse o dono teria na íntegra o valor de seu trabalho. O valor da mercadoria demanda muitas reflexões, mas popularmente sabemos que diz de oferta e procura.

O valor de um salário mínimo, que está melhor, é discutível. Sim, pois se formos pelo que a Constituição Federal prega, ele teria que atender às necessidades básicas do cidadão.

Por falar nisso, o valor dos direitos constitucionais precisou de mitigação permanente das correntes democráticas na luta contra o Bolsonarismo, que não se esgota com a eleição de Lula.

Quem não conhece pessoas que tinham uma postura politicamente correta, em defesa dos direitos humanos e sucumbiram à escolha genocida fascista que vivemos? Acredito que essas não tinham valores sólidos, convictos, do que defendiam. No entanto, temos que relembrar que já tivemos uma “direitinha” mais palatável e democrática que fez parte de uma correlação de forças que lutou contra a ditadura, que foi constituinte, que ajudou no “Fora Collor”.

Dentre esses, muitos foram capturados pelo ódio, pela mentira. Ouvi muitos bordões assim: “Prefiro Bolsonaro que um ladrão”, “prefiro um homofóbico que um corrupto”. Como está a honestidade desses na frente do espelho hoje?

Porém, aqueles bem conscientes que fomentaram tudo isso, não estavam longe de uma coerência com o que é “Valor” pra classe dominante mais reacionária e mesquinha, que não se importava com a mortandade em tudo, com a formação de milícia, pois apostavam, dicotomicamente, que a economia seria melhor, outro ledo engano.

Refletir sobre valor carece de observarmos nesse enunciado que é o sujeito da enunciação. Claro, pois o nazifascismo tem valores calcados na Tradição, Família e Propriedade. Sem dúvida que são as tradições que sustentam uma visão de família branca, heterossexual e sua propriedade privada, que pode se manter inclusive na especulação imobiliária, nas terras griladas e ou improdutivas.

Neste novo tempo, com Lula, esperamos que o valor verdade não tenha “pernas curtas”, em nenhum campo, inclusive no de futebol.

E nesta semana perdemos um grande valor cultural e musical, que transgredia tudo isso, escancarando, lançando perfume, o gozo e o amor livre, de um lugar feminino revolucionário com a arma do rock, da poesia e da prosa.

A escritora não esqueceu seu inconsciente infantil fazendo dele literatura com literal amor pelos animais!

E a verdade, verdade, sem outros sentidos, que não basta convicção, é provada, seria um bom codinome também à “Rainha do Rock”.

Ela foi punk, hippie e beatnik,, ovelha negra de valores coloridos e livres, dependente, como todos nós, do amor, R. I. P, Rita Lee!


Gaio Fontella

Psicólogo, Psicanalista, debatedor do Café com Análise no YouTube e membro do Psi - Psicoterapia online http://clinicapsi.org/

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