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História da Zona Norte - Cap. 9

Em torno da primitiva paróquia de São João Batista, começa a se desenvolver, ainda nos anos 1880, um primitivo núcleo urbano. Essas habitações, formadas normalmente por descendentes de alemães e portugueses, contrastavam com os vastos campos da Várzea do Gravataí e, junto com o Floresta e o Navegantes, formaram o terceiro núcleo urbano da Zona Norte. As casas eram rudimentares e, obviamente, sem água encanada. O trajeto até o centro era feito em carretas ou a pé. De uma forma ou outra, o percurso era trabalhoso.

O transporte público chegou à Zona Norte somente no anos 1890, com um bonde puxado a burro que partia do centro, ia pelo Caminho Novo (Voluntários da Pátria), dobrava à direita na Avenida São Pedro (esta aberta desde 1850) e pegava a Benjamin Constant à direita. Isso possibilitou que a população do primitivo arrabalde pudesse se locomover com mais facilidade a regiões distantes da cidade, além de possibilitar que os moradores do Centro fossem passear em regiões ainda consideradas rupestres.


Almanaque Literário e Estatístico, 1897.


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Na região em que hoje se encontra o colégio São João, logo atrás da antiga capela, havia uma enorme pedreira, que se estendia desde a atual Plínio Brasil Milano até a atual Assis Brasil. Ainda hoje, ao lado do Ginásio de Esportes do Colégio La Salle São João, é possível encontrar enormes pedras remanescentes desse período.

Ao lado dessa pedreira, surgiu uma primitiva via, hoje oficialmente conhecida como Honório Silveira Dias (uma homenagem a um importante comerciante da região, dono do antigo Cinema Rosário), mas que no final do século XIX ficou conhecida como Rua Hortícula, em uma referência à grande quantidade de hortas que por ali havia, principalmente de famílias alemãs.

Jornal do dia, 1949.


Em 1896, a Companhia Territorial Porto-Alegrense loteou parte do que hoje é o Bairro São João. Os seus acionistas eram Manoel Py, Antonio Chaves Barcellos, Eduardo de Azevedo Souza Filho e José Luiz Moura de Azevedo – todos eles grandes comerciantes da cidade. Foram abertos, na ocasião, os primitivos traçados das ruas Souza Reis, Pereira Franco, Onze de Agosto e Dona Sebastiana. Essas vias, na verdade, nada mais eram, no século XIX, do que escoadouros de água para a Várzea do Gravataí, e a maioria teria que esperar até os anos 40 para ser pavimentada. Ou seja, foram durante décadas, ruas sem saída, verdadeiros atoleiros que terminavam nos alagadiços terrenos da Sertório.

A antiga capela de São João virou um ponto de referência na Zona Norte. Além da festa ao padroeiro, era em frente à capela que as carretas se encontravam para fazer suas tortuosas viagens ao litoral gaúcho, principalmente a Cidreira.

Bairro São João em 1920. À esquerda, atual rua Dona Sebastiana. Fonte: Prati.


Na virada do século XIX para o XX, o comércio começou a ganhar mais fôlego na região. Inúmeras casas comerciais, atendendo às mais diversas demandas, começaram a surgir. A região do São João passou a ser vista como uma das mais prósperas de Porto Alegre. A Zona Norte ainda pouco ou quase nada tinha em direção ao Cristo Redentor. Pode-se dizer que até os anos 30 o mais ao leste que se ia na Zona Norte era no entorno da antiga capela. Somente nas próximas duas décadas é que o atual Cristo Redentor e demais bairros passariam a se desenvolver.

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