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Literatura infantil: o encanto que nos falta...

Só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia-a-dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos...

Mario Quintana

Não me venham com o papo que "os tempos são outros", pois esta geração de crianças não viverá o encanto dos sonhos, das histórias e do pensar. O Tik Tok com seus os flashes, sons estridentes, luzes; e o superficial adentra a mente das crianças e as impedem de sonhar. Nada é encadeado, tudo é fragmentado. Nada para eles tem o cheiro da terra da pracinha, nem a sensação de molhar os pés nas águas do Cassino ou sentir as areias das dunas do Litoral Norte. Quando estão passeando com os pais de carro não veem a ponte cruzando o Uruguai, nem se tocam com o sotaque de diferente ao cruzar uma rua do Chuí.

A escritora Vera Ione Molina que lá atrás - 1983-4 - como (quase) iniciante nos dera "O melhor presente de Natal" e "Cococa, boa de goela" nos devia uma retomada na sua literatura infantil. Foi o que fez em 2016, com "Eram duas vezes" - histórias da vovó", "Catarina abre um caminho de magia", na trilha das "histórias de vovó" e "não sou nenê, sou cachorro", de 2021. E vos digo que a gente quer e precisa mais dela.


Vera retoma a tradição dos irmãos Grimm, Andersen, Perrault, vai com eles por uma ponte, para dinamitá-la em seguida, seguindo sua trilha, jogando com o famoso "era uma vez", trocado por "eram duas vezes", e faz com que as personagens tenham seus aprendizados com o diferente, menino da cidade, menino da praia de pescadores, por exemplo. Faz jogo com as cores, com a rebeldia, com o inusitado que está mais para o fantástico, no caso dos gnomos, em diálogo com a criança, como é o caso que ela extrai do infortúnio do furacão "Catarina”, criando uma magia que não existe no celular inteligente.

Muito criativa é sua história cujo narrador é o cachorro, que "não é nenê", pois o cachorro mostra quem são as pessoas, o que elas são, em especial a sua "mãezita", sua tutora.


É sempre bom ter um olhar da vovó que conta histórias para as crianças, pois como diz nosso Mário Quintana:

"Só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia- a-dia, hora a hora (...)"

Nós somos velhos o suficiente para ter a coragem de falar, de escrever, de não esconder. Queremos ter uma geração de jovens leitores/as, que não desdenham a tecnologia e o progresso, mas temos a segurança que a Inteligência Artificial nunca poderá criar algo aos pés destes três livros e cinco histórias muito legais.

Os livros têm o selo Class e Bestiário, a editora que mais edita por aqui, sempre com a alta qualidade que o Prym coloca no que faz.

As ilustrações são de duas feras do traço e da cor: Yuji Schmidt e Juska.

Por estas razões a cada mês há um esforço para termos a Feira de Livros do Chalé da Praça XV. Em breve teremos uma feira especial no Hospital da Criança do GHC, como teremos outros tantos eventos no espaço da nossa Feira do Livro.


ADELI SELL é professor, escritor e bacharel em Direito

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