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"Enojado com a humanidade"?



Travis Kling, CFO do Ikigai, disse que seu fundo de investimentos em criptomoedas foi pego de surpresa com o fim da FTX, lascando a frase da hora: “Estou enojado com a humanidade”.

Afinal, quem é este médico tão jovem que tem um fundo de investimentos para dizer isto, além de outras tantas barbaridades contra as cripto e os “tantos malditos sociopatas” pelos danos que tem causado?

Quem está neste mercado de investimentos e destas jogatinas se diferencia de seus parceiros ou concorrentes? Sim, afinal nem todos são iguais. Mas creio que este senhor é muito igual à maioria dos “empreendedores”.

Certamente, ele sabia que havia “M...” permeando as criptomoedas quando entrou no negócio, mas ele vocifera esta palavra chula e muitas outras contra os outros.

Em sendo médico, ele deveria saber que nem todos os males são passíveis de cura. Em tendo um “fundo de investimentos” certamente sabia que tinha concorrentes não tão leais assim.

Ninguém está na vida enlouquecida da roleta russa do mundo dos investimentos, em especial das criptomoedas, de ingênuo.

Ele não tem o direito de dizer que está “enojado com a Humanidade”. Ele deveria estar enojado com parte dos seres humanos que estão prejudicando outras pessoas, ou seja, atacando a Humidade.

Há uma crise sem precedentes no Mundo 4.0.

Qual a relação destas “cripto” com o consumidor, se este “ser hipossuficiente” nem sabe quem manda no investimento que faz, nem onde fica a sede da “empresa”. Muito menos em qual “nuvem” estão tilintando suas moedas.

Enojado deveria ficar o senhor Travis Kling com as jogatinas como as que o senhor Ellon Musk faz, comprando o Twitter, demitindo a metade dos empregados, a começar com (quase) toda a direção da empresa, ainda ameaçando de falir a mesma.

Enojado deveria ficar o senhor Travis Kling com o senhor Mark Zuckerberg que vendeu dados de usuários do Facebook para políticos manipuladores em 2018. Sem falar da perda que seus acionistas tiveram na Meta quando ¼ do valor da empresa evaporou em 24 horas.

O que disse o senhor Travis Kling sobre tudo isso? Nada, absolutamente nada. E agora vocifera quando seu navio naufraga e usa todas as palavras chulas do dicionário para atacar a Humanidade.

O Papa Francisco em sua encíclica Laudato si pede para as pessoas cuidarem, antes de tudo, de si, para poder ajudar a cuidar da “casa comum”, ou seja, o Planeta Terra. E como este planeta não sobrevive sem o pulmão da Amazônia, o senhor Travis Kling deveria se preocupar com os temas da globalidade, da sustentabilidade, do social e da governança, a tão propalada ESG.

Travis não fez o dever de casa. Logo, não tem o direito de falar palavrões contra os outros, como se fosse um Santo Agostino, que largou as vestes pecaminosas para se tornar um santo venerado.

Não existe “o Mercado” como a mídia brasileira fala em relação ao futuro governo Lula. Existem pessoas no Mercado, muitas delas sonegadores, apostadores com as parcas finanças de consumidores.

Existem mais Travis Kling sem dormir com as demissões em massa do Facebook, da Amazon, da Alibaba e outras plataformas.

O que será do Amanhã? Não há bola de cristal, pois ela boia no mundo líquido daqui para lá, de lá para cá, logo tudo que se afirmar de forma taxativa pode ser líquido a escorrer pelas mãos.

Mas o dever de quem se preocupa com a Humanidade é dar todos os sinais de alerta. O grito de alerta não é este do senhor Travis Kling.


ADELI SELL é escritor, professor, bacharel em Direito.

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