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O transporte coletivo que queremos

Atualizado: 12 de ago. de 2022

Avenida Assis Brasil, Porto Alegre, 1966. Foto de Valdenir Müller.

Porto Alegre, assim como toda metrópole brasileira, é diversa e plural. Nela, há muito residem pessoas oriundas das mais diversas etnias e que desempenham diferentes atividades econômicas. O desenvolvimento dessa zona da cidade está intimamente relacionada à Avenida Assis Brasil. Sua origem é tão antiga, que remete ainda ao século 18. Nesta época, ela era um segmento da Estrada de Aldeia dos Anjos, que ligava a então vila de Porto Alegre à freguesia de Aldeia dos Anjos de Gravataí, atual Gravataí. O caminho de chão batido e cuja densidade do mato só era vencido por uma ou outra chácara e pelos banhados da Várzea do Gravataí (atual região do aeroporto) era percorrido por carroças puxadas a tração animal. Apenas em 1898 o primeiro bonde vindo do Centro atingiria a antiga capela de São João Batista, no local onde hoje está a Igreja São João. Por essa época o trajeto já era conhecido com Estrada do Passo da Areia. A primeira pavimentação ocorreu em 1929. O alargamento veio em 1944, com o recuo progressivo das construções. Foi só em 1948 que a via passou a se chamar Avenida Assis Brasil, em homenagem a Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857-1938), advogado, político e escritor gaúcho.

Passando por seis bairros, a avenida sempre esteve ligada à noção de deslocamento urbano, ligando Porto Alegre à Freeway, além de servir como moradia a muitas pessoas que trabalham fora da zona norte e precisam se deslocar de transporte público para outras regiões da cidade. É nesse sentido que a problemática do transporte coletivo se torna ainda mais saliente. Apesar de ser uma avenida relativamente reta, a Assis Brasil, no entanto, apresenta uma grande quantidade de sinaleiras, o que faz com que o trânsito dificilmente consiga ganhar um fluxo contínuo – aliás, existe alguma avenida em Porto Alegre que consiga fluir sem interrupções, com exceção da Castelo Branco? Os corredores de ônibus estão, em sua grande maioria, sucateados e não é raro que o asfalto apresente irregularidades que fazem com que os passageiros trepidem fortemente dentro de ônibus lotados.

Aliás, os ônibus são, sem sombra de dúvida, um dos aspectos que mais precisam melhorar em nossa cidade. Deslocar-se do Centro Histórico até o terminal Triângulo em um final de tarde, por exemplo, pode ser uma grande aventura, pois depois de um dia inteiro de trabalho ainda é necessário enfrentar a demora nas paradas e a falta de espaço dentro dos coletivos. É necessário que o poder público tome iniciativas que pelo menos diminuam o desgaste dos trabalhadores da zona norte quando precisam utilizar o transporte coletivo. Sem dúvida o atual estágio dos corredores e dos ônibus da cidade não estão à altura daquilo que a população merece, fazendo com que a Assis Brasil, essa via tão importante na história da cidade, seja sinônimo de cansaço para aqueles que se deslocam para o seu trabalho. Precisamos, em outras palavras, de um deslocamento ágil e confortável, pois, afinal de contas, estamos falando de dignidade humana básica.

Agora, conta para nós como tem sido se deslocar pela zona norte de Porto Alegre. Queremos muito saber da tua experiência.


Cristiano Fretta é escritor, professor e músico.

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