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Pitacos da semana

Não somos nada

Nessa última semana, o telescópio James Webb mandou suas primeiras imagens. Nunca antes a humanidade havia enxergado tão longe. É impossível compreender a grandeza do universo sem quebrar os nossos paradigmas de tempo e espaço. Não somos nada a não ser resto de poeira de estrelas. Eu abri a imagem, coloquei um Pink Floyd e fiquei observando-a durante muitos minutos, tentando desvendar - ou melhor, imaginar - que tipos de mundos podem se esconder naquelas galáxias distantes. É realmente fascinante. Por um momento, no entanto, tive a impressão de ver, por trás de um pontinho branco que continha milhões ou bilhões de estrelas, uma farmácia São João, uma Igreja Universal e um jovem de terno me perguntando se eu conhecia o Partido Novo.


Cala a boca, bicho!

É oficial: a partir de ontem qualquer pessoa tem o direito de ficar irritado no Brasil. Depois do “cala a boca” de Roberto Carlos, não há paciência que resista ao fato de ser brasileiro. Já dá, inclusive, para bradar: Jesus Cristo, eu estou aqui, porra!


Onde?

Manifestantes contrários ao governo invadiram o Palácio Presidencial da França. Mentira. Manifestantes contrários ao governo invadiram o Palácio Presidencial do Sri Lanka. O presidente fugiu para as Maldivas. Quem aí ouviu falar disso? Se fosse na Europa ou nos Estados Unidos, o alvoroço da imprensa seria enorme. Mas a África importa menos para a cultura ocidental. Mentira. Sri Lanka fica na Ásia Menor.


Pouco a pouco

A eleição de 2010 foi marcada por um ato de extrema violência: uma bolinha de papel foi arremessada na cabeça de José Serra. Em 2014, vítima de uma inesperada tragédia, Eduardo Campos morreu em queda de avião. 2018 foi marcado por notícias mentirosas e elogios à ditadura militar. Neste ano, observamos as semanas passarem em direção à eleição enquanto acompanhamos a possibilidade da tentativa de um golpe de estado. Muitas vezes, as mudanças daquilo que consideramos tolerável são como o amanhecer: quando nos damos conta, o dia nasceu sem que pudéssemos perceber o momento exato em que a escuridão deu lugar à luz. Ou melhor: no caso do Brasil, estamos anoitecendo.


Aliás

Das centenas de manifestações que observei nas minhas redes sociais a respeito do anestesista estuprador, pouquíssimas vieram de homens.




Cristiano Fretta é escritor, professor e músico.

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