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Pitacos da Semana

Jô Soares

Se foi o Jô Soares. Parece mentira que o Jô possa ter morrido. Seus trejeitos, sua voz, seu carisma e sua simplicidade simplesmente não combinam com a mais indesejada das gentes, a morte. Ele foi uma figura ímpar, que conseguiu respeito aliando duas coisas essenciais em qualquer sociedade: humor e inteligência. Jô mostrou que cultura e bom humor não são antagônicas e que nem todo intelectual precisa ser um chato, um antissocial. Cresci vendo seus programas, primeiro no SBT depois na Globo. Fiquei acordado até tarde para acompanhar sua icônica entrevista com os Mamonas Assassinas. Quando eu comecei a estudar música, pensava que um dos apogeus de qualquer músico era fazer parte do sexteto do Jô. Ah, sim, e as risadas do Bira, meia hora depois da piada, como não achá-las engraçadas? O Gordo já era parte da nossa casa, da nossa vida cotidiana. A impressão que tenho é de que ele era uma visita corrente, um vizinho com quem se conversava todo dia. Vai fazer uma falta danada. Impossível não lamentarmos sua ida. Com ele, uma era se foi. Restam as suas memórias. Ricas memórias. Vai em paz, Jô!


Corrupção e corrupção

Eu queria escrever sobre as últimas notícias de corrupção no Rio de Janeiro. Eu não lembrava exatamente o que era, então fui ao Google. Ao digitar “corrupção Rio de Janeiro” e ir em "notícias", me perdi em meio a tanta falcatrua. Era propina pra cá, condenação para lá, suborno de não sei quem. A impressão que tenho é de que o Rio de Janeiro é um imenso cartão coorporativo de dinheiro público, com um endêmico sistema de corrupção em que o Estado não é cooptado pelo crime, mas sim é o próprio crime. Nos acostumamos a ver o Rio de Janeiro como uma eterna cena de “Tropa de Elite”. Estado lindo, maravilhoso, de um povo trabalhador e sofrido, o Rio é um exemplo daquilo que talvez seja o maior traço que defina nossa heterogênea sociedade: o contraste. Pois parece impossível um lugar tão belo comportar tanta trapaça feia. Tão rico e tão pobre. Tanta poesia e tanta crueldade. Tão convidativo e tão repulsivo. Tão Brasil, enfim.


Coringa 2

O Coringa vai ter uma continuação. A atuação de Joaquim Phoenix foi o que me seduziu no filme: fui cooptado para dentro daquela atmosfera depressiva, paranoica e de um triste humor. Me senti bem representado pelo momento da ruptura com a Lei e o início da delinquência, na magistral cena do metrô. Quando vi o filme, eu tinha que corrigir mais de 400 provas. Mas não: não rompi a barreira e devolvi todas as provas, bem corrigidas. Dei aula normalmente, sem risadas histéricas – pelo menos por fora. O segundo filme trará a imensa responsabilidade de ser tão bom quanto o primeiro, coisa, aliás, que eu não duvido. Joaquim Phoenix certamente levará o peso de seu talento mais uma vez para as telas. Só vou tomar cuidado para assistir ao filme em um momento mais tranquilo de minha vida que não seja o final de um trimestre letivo. Não quero correr risco.


Aliás

Vocês repararam que já é agosto?



Cristiano Fretta é escritor, professor e músico.

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