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Retrato de Lindolfo Collor

Em 1988, no Rio de Janeiro, por Leda Collor de Mello, sua filha mais velha, foi publicado o livro "Retratos de Lindolfo Collor – dados sobre sua vida e obra".

Há uma "Cronologia" de sua vida, desde seu nascimento em São Leopoldo, morte do pai, adoção pelo padrasto de quem herda o nome Collor, estudos, andanças pelo mundo, prisões, sua morte no Rio aos 52 anos de idade.

Os dados biográficos em seguida não têm assinatura, devendo ser de Leda, feito por ela ou por outrem, depois vem mais de 30 artigos assinados pelas mais variadas personalidades tecendo os mais altos elogios a Lindolfo Collor.

Collor tinha formação luterana, estudou Farmácia, mas foi sempre um jornalista de raiz, militante das causas populares e militante político, além de estudioso e intelectual de proa.

Mesmo tendo começado sua ligação política com o castilhismo na redação de A Federação, inclusive durante a Guerra Civil de 1923, mesmo eleito deputado estadual e federal pelo partido borgista, manteve suas posturas bem mais abertas que seus pares.

Mesmo tendo sido essencial na Revolução de 30, ajudando Vargas a assumir o poder da Nação, foi alçado a primeiro-ministro do Trabalho, por pressão de amigos, contrariando Vargas. Ele foi Ministro por pouco mais de 15 meses e realizou seu objetivo de legar ao país a mais ousada legislação trabalhista para aqueles tempos. Demitiu-se e com ele alguns outros membros do governo.

Voltando ao Rio Grande do Sul, chegou a participar do governo de Flores da Cunha, em oposição à tentativa de golpe de Vargas que veio a se consumar depois. Com a mudança de posição de Flores, apoiando Vargas, Collor sai de seu governo.

Foi preso muitas e muitas vezes, esteve por duas vezes exilado, primeiro no Sul e depois na Europa.

Do exílio da Alemanha, da França e Portugal mandava artigos contra o nazismo para jornais brasileiros. Viveu e sobreviveu do seu trabalho como jornalista e por ter sociedade numa empresa de seguros.

Voltou ao país por mediações feitas por amigos junto a Vargas, indo morar e trabalhar no Rio de Janeiro, ainda assim mais duas vezes foi preso, sem justificativa qualquer, como a exigência anterior de sair do país, sem qualquer processo.

Um perseguido político, um defensor da integração do proletariado à sociedade com base no respeito ao trabalho, Collor deixou um grande legado, muitas vezes esquecido e até apagado, muito por conta das patifarias praticadas por Fernando Collor de Melo, seu neto. Duas personalidades políticas completamente opostas.

O povo do Rio Grande do Sul não pode passar uma borracha nesta História. Entendemos que a tradição varguista, castilhista, autoritária da política local contribua com o apagamento de suas lutas, sua vida e sua obra.



ADELI SELL é professor, escritor e bacharel em Direito

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